Trabalhar a cultura afro-brasileira na escola vai muito além de falar de luta e resistência. Precisamos falar de representatividade afirmativa: existência, inteligência e alegria.
Por isso, apresento a você a Ludmila e sua boneca preta de pano. Uma releitura carinhosa do clássico A bonequinha Preta, de Alaíde Lisboa.
Este material pedagógico atende bem as diretrizes da Lei 10.639/03, e também está alinhado à BNCC. No final, há um artigo e uma atividade didática sobre este texto.
*E atenção: todos os textos do blog são registrados. Se quiser reproduzir, peça autorização, cite o endereço do blog e autoria, ok?
Então vamos lá, que esta boneca renda boas conversas!
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A boneca preta de pano
Que linda boneca de pano, preta da cor de carvão. Os olhos redondos e espertos. Sempre um livro na mão.
Uma boneca linda e também inteligente. Que fala, pensa e brinca como se fosse humana.
Ela foi dada de presente à Ludmila, uma menina muito talentosa. As duas conversavam sem parar.
A boneca preta de pano possuía um velho livro encantado. Um dia contou pra Ludmila uma triste história.

Havia um mago que, iludido, casou-se com uma princesa muito bonita. Mas depois descobriu que ela era uma velha bruxa malvada. O mago, magoado, saiu a vagar pelo mundo. Tropeçou numa pedra e caiu em um buraco sem fundo.
A boneca de pano chorou muito com a história, quase ficou sem ar. Ludmila, sua dona, ficou ansiosa. A boneca chorava tanto que quase inundou a casa.
Foi então que Ludmila pegou o livro da boneca emprestado. Procurou uma história pra alegrar seu coração.
E contou a fábula da cigarra cantadeira. Sua maior felicidade era cantar o dia inteiro. Só que todo mundo criticava a cigarra, diziam que ela era preguiçosa.
Mas não é que a cigarra foi seguir seu coração, treinou tanto que um dia ficou famosa. Cantava música sertaneja, hip hop e bossa-nova.
Ganhou muito dinheiro e viveu super contente, fazendo o que mais gostava.

A linda boneca de pano finalmente parou de chorar. Começou a rir, e também foi cantar. Fizeram uma dupla: a boneca no pandeiro e Ludmila no violão.
A boneca preta era lindíssima. Tinha o nariz achatado, o cabelo enrolado e os olhos tão inteligentes, que parecia mais esperta que uma porção de gente. Estava sempre com seu velho livro encantado nas mãos.
Vivia a contar histórias e a fazer poesias, para ela tudo era festa. O mundo? Encanto e magia! E a doce boneca de pano, linda da cor de carvão, fazia parte dele: o mundo da imaginação.
FIM.
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Ludmila e a Boneca: Literatura como Instrumento de Identidade e Afirmação
E aí, gostou dessa historinha poderosa de representatividade afirmativa? Que tal nos aprofundarmos em uma de suas muitas entrelinhas? (Encontrei, pelo menos, 12 delas).
E aproveite para conhecer o BARALHO GERAL DAS ENTRELINHAS.

No mais, desejo-lhe sucesso, saúde e serenidade,
Historinhas Poderosas
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