
Outro dia, fazendo minhas ginásticas faciais, percebi que até minhas rotinas caseiras podem ganhar um ar filosófico e psicológico. Minha pequena vaidade pode se tornar uma espécie de autocuidado junguiano (risos).
Sim, dialogar com Jung no banheiro, entre uma colher, uma massagem no nariz e a babosa fresca. Por que não?
De manhã, costumo fazer meus exercícios faciais. Nada mirabolante, apenas movimentos para acordar os músculos e, quem sabe, aliviar um pouco esse “bigode chinês” sem-vergonha que insiste em me lembrar da minha idade e genética. (risos)
Enquanto faço, penso: – óia só, estou ativando meu animus.
Jung descrevia o animus como a energia ativa, masculina, racional. Não no sentido de gênero, mas como energia masculina, um princípio de movimento, afirmação e direção.
Então, de fato, faz todo sentido pela manhã, quero despertar essa força que me põe em movimento no mundo. É quase como exercitar não só o rosto, mas também a mente para a vida que me espera.

Á noite, mimir com afeto e anjinhos
À noite, no entanto, a história muda. Troco a ginástica pela drenagem com colher. Sim, uma colher: prática simples, e espero que eficiente.
Mas ali, deslizando com calma, vou sentindo que é a anima que entra em cena. Esse arquétipo feminino, receptivo, intuitivo, cuida do recolhimento, do escoar do excesso, da volta para dentro. É o momento de dizer:
-“Chega de mundo por hoje, agora sou eu comigo mesma.”
No fundo, é curioso perceber como minha rotina de pele encena o equilíbrio psíquico que tanto buscamos.
Pela manhã, desperto a clareza e a ação (animus). À noite, entrego-me à suavidade e à intimidade (anima). Tudo isso com babosa, arroz, óleos e uma boa colher.
Enfim, o cuidado de fora refletindo o trabalho de dentro.
Sei que rola muita viagem na maionese nessas comparações todas mas, no fundo, isso torna a vida um pouco mais divertida.

Um lembrete para viver melhor
E, no fim das contas, cuidar do rosto tem sido um lembrete simbólico diário: para viver bem, preciso tanto da força que me impulsiona quanto da suavidade que me acolhe. Preciso tanto do animus que me levanta cedo, quanto da anima que me embala no fim do dia.
A grande beleza, percebo, não está só em retardar rugas ou prevenir marcas. Está em reconhecer que cada gesto simples pode ser um rito, um diálogo silencioso com minha psique.
E assim sigo: fortalecendo músculos, drenando tensões, bebendo muita água e rindo dos meus exageros.
Talvez no futuro eu me torne uma “véia gatinha”. E, se não conseguir, pelo menos terei vivido minha jornada com humor, disciplina simples e alguma dose de Jung no nécessaire.
Afinal, a caminhada é tão importante quanto a chegada.
E, se caso você desejar conhecer alguns dos meus livros, CLIQUE AQUI.
Ah! Fica o convite para que você também se cuide com leveza e simplicidade.
No mais, desejo-lhe sucesso, saúde e serenidade.
Descubra mais sobre Cíntia Amorim
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.