Aceitar para Fluir: um exercício de paz interior

Tenho pensado muito sobre alinhamento interno. E, talvez, essa seja a chave de quase tudo: viver alinhada comigo mesma. E, para isso, tenho desenvolvido um exercício de paz interior.


Durante décadas, eu me vi em conflito, me agredindo ao tentar ser algo que não era. Tentando me curar, consertar, controlar tudo o tempo todo. Era como se houvesse em mim um juiz severo, um “músculo da autocrítica” sempre em alerta, impiedoso, que sempre olhava só para o que ainda faltava.

Mas, aos poucos, comecei a entender que a verdadeira transformação interior, em compreender nossas luzes e nossas sombras, e simplesmente aceitá-las.

Minha serena e contínua transformação não veio da acomodação, de um conformismo fatalista. Ela veio de um olhar tranquilo sobre mim, que dizia:


-É isso. Está tudo bem. Essa sou eu, com minhas “qualidades e defeitos”. E, a partir daqui, o que posso fazer de diferente? O que , de fato preciso mudar com calma, e o que é uma questão de saber lidar com a sombra, me adaptar a isso?

Essa simples pergunta mudou muita coisa.
Ela me tirou do campo da culpa e me colocou no campo da consciência. E é tão incrível quando paramos de agir no piloto automático e começamos a tomar consciência do que somos e fazemos!

Amar e irradiar

Vinda de um lar totalmente disfuncional e de uma religiosidade tóxica, cresci aprendendo a me defender, e não a me amar. Um ambiente agressivo em tantos sentidos, produziu em mim uma pessoa retraída e defensiva.

Hoje, reeducar esse amor tem sido um dos meus maiores desafios espirituais. Aprender a receber amor, sem ter que lutar ou fazer algo em troca. Aprender a dar amor, sem oferecer uma alfinetada junto. Eis para mim um verdadeiro exercício de paz interior.

Aprender a cultivar a fonte de amor que nasce em mim, por mim, e que se estende naturalmente a tudo o que toco. Conservar esse manancial saudável e fluente. Cuidar em ser fonte.

E digo isso porque percebi que meu processo de cura não é só meu. Ele irradia. Cada passo interno que dou, quando deixo de me punir, quando aceito minha natureza, quando celebro o que sou, de algum modo, isso toca alguém.

Talvez uma filha, uma amiga, uma leitora. Recebo depoimentos bonitos. E isso me alegra profundamente.

Toda vez que me levante de madrugada para orar, ou quando medito, faço meu ho’oponopono. Toda vez que me faço perguntas sinceras, como:

– Quem sou eu? Qual é a minha natureza?

Sempre que anoto um sonho e procuro estudar os simbolismos nele presente. Toda vez que leio ou converso com alguém sobre autoconhecimento, estou treinando me aceitar mais.

E aceitar quem sou inclui aceitar minhas sombras: minha carência, minha timidez, meu jeito vagaroso para algumas coisas, minha forma de fazer as coisas do meu jeito.
Não sou uma pessoa hiperprodutiva, e está tudo bem.
Descobri que posso vencer com leveza, prosperar em paz, enriquecer sendo quem sou, sem trair minha natureza.

A fé tem sido uma companheira essencial nesse caminho. Uma fé serena, parecida com um grão de mostarda, pequena, mas poderosa o suficiente para mover montanhas internas.
Ela me lembra que não preciso correr o tempo todo atrás de tudo: quantas coisas boas simplesmente chegam até mim, com tranquilidade. Meu papel é tirar as resistências, deixar a vida fluir.

Tudo isso tem me ensinado a me amar mais, a querer estar mais próxima a mim mesma (por mais estranho que isso possa soar para alguns).

Aliás, tenho realmente gostado de passar mais tempo a sós, comigo. Adoro sair sozinha, sentar num banco de parque, andar pela cidade com meus dreads e minhas bolsas feitas à mão.

Adoro rir de mim mesma, comprar um lanche barato e celebrar a simplicidade da vida.


É nesses momentos que encontro uma parte de mim que se realiza na leveza, que acredita no progresso, que me puxa pela mão e diz: “-bora, Cíntia, vamos florescer.”

É tão gostoso trabalhar nesse intenção de nos descobrirmos e nos expressarmos com autenticidade.

Conclusão: exercício de paz interior

Sinto que estou cultivando um novo jardim interno. E, inevitavelmente, o que está dentro vai se tornar visível. Os frutos vir]ao.
Porque é assim mesmo: como é dentro, é fora.
E eu estou gostando do que tenho plantado: minha verdadeira natureza.

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No mais, desejo-lhe sucesso, saúde e serenidade.

Cíntia Amorim.

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