Breves reflexões cotidianas: você não deve nada à vida

breves reflexões cotidianas

Tenho feito breves reflexões cotidianas sobre a vida, e gostaria de compartilhar algumas com você, esta aqui sobre a temática: você não deve nada à vida, ou, ao Universo.

A vida é uma dádiva, um presente, você não TEM QUE fazer algo para merecê-la, ou retribui-la

Por muitos anos ouvi uma frase dessas classificadas como autoajuda, mas que ultimamente tem feito maior sentido para mim. Talvez tenha chegado o tempo de assimilá-la no coração. Ei-la:

É crucial, para nossa liberdade e prosperidade, nos sentirmos SIMPLESMENTE MERECEDORES.

Eu fui criada em um lar muuuuito disfuncional, e num ambiente de religiosidade tóxica, então, o sentimento de culpa e de estar incomodando, de ser um peso, foi introduzido em minha criação desde que me entendo por ser humano.

Isso nos leva a desenvolver uma atitude de querer compensar nossa incômoda existência, e, dessa forma, entramos naquele modo de existir de ser prestativo o tempo todo . É como se inconscientemente disséssemos: vou lhe compensar o incômodo que é para você eu estar vivo.

Juntando isso à loucura religiosa de querer salvar o mundo (claro que impondo a todos nosso modo de ser), crescemos com essa sensação de que “DEVEMOS FAZER ALGO QUE JUSTIFIQUE NOSSA EXISTÊNCIA”.

Pois bem! No livro: Os Quatro Compromissos, o autor fala muito sobre o Juiz, que sempre nos traz um grande sentimento de culpa. E talvez esse seja um dos nossos grandes desafios: vencer esse impiedoso Juiz Interno, vencer esse cruel Sentimento de Culpa, que nos impede de relaxar e, simplesmente, desfrutar o presente que nos foi graciosamente dado: A VIDA.

Acho que essas breves reflexões cotidianas serão um pouco extensas, então, tenha paciência e foco.

Quando finalmente relaxamos e paramos de tentar compensar nossa existência, damos frutos naturalmente. A natureza não TEM QUE LUTAR para contribuir para a vida

Isso pode parecer bobo e até óbvio para muito gente, e tudo bem! Porém, eu sei que para tantos outros, pode ser tão libertador quanto tem sido para mim:

Perceber que a natureza não faz um esforço hercúleo para viver e contribuir para a vida.

Vamos analisar isso com calma, para você não achar que se trata de papo de preguiçoso (risos):

Quando Jesus disse:  

“Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles”.

Penso que ele quis dizer algo do tipo: Veja bem, cambada, o lírio do campo não TEM QUE matar um leão por dia para ser lírio do campo ele apenas o é; e assim, além de viver sua deliciosa vidinha de flor, ele ainda nos presenteia com sua radiante beleza. Enfim, é natural para o lírio viver, ter suas necessidades atendidas e ainda contribuir de alguma maneira, sem um esforço monstruoso.

Da mesma forma as aves, que não semeiam(de forma intencional), não colhem, não ajuntam em celeiros, e todavia, se alimentam. E assim, igualmente, são todos os seres vivos. Ou seja, penso que Jesus queria nos ensinar que:

Ocupe-se em ser apenas você mesmo, de verdade, em sua mais pura essência e, inevitavelmente, sua existência contribuirá para todo o fluxo da vida que existe no Universo.

Ser você já é uma bênção

Você faz parte de uma cadeia de vida, natural e inevitavelmente, então, não precisa se esforçar tanto para ser útil, para ser importante. Esforce-se para SE ENCONTRAR, e naturalmente, sua vida fará sentido e será preciosa.

E, nesse sentido, será muito importante você conhecer sua Verdadeira Natureza, seu ritmo, suas habilidades inatas (os dons que Deus lhe concedeu “de grátis”). Quando você usa isso, de forma leve e fluida, você naturalmente floresce e dá frutos. E isso é i-ne-vi-tá-vel.

A culpa sempre traz o peso do castigo, da autopunição

Nessas breves reflexões cotidianas, não poderia deixar de abordar, mais precisamente, o tema da CULPA DE ESTAR VIVO.

Parece estranho isso, mas o implacável Juiz Interno que em nós habita, está sempre dizendo que precisamos pagar o aluguel por estarmos vivendo nesse planeta: nossa taxa de oxigênio (risos). E ele é caro pra caramba, é tipo “matar um leão por dia”.

E muitos de nós somos condicionados a isso, a ponto de estarmos o tempo todo querendo fazer algo para justificar nossa felicidade, nossos pedidos de oração, nossos desejos. Parece que temos sempre de pagar uma promessa, pagar uma espécie de taxa para receber um presente dos céus.

– Deus, se o Senhor me abençoar nisso, eu dou tal e tal em troca…

– Mãe Celeste, se a Senhora ouvir minha prece eu farei assim e assado…

Outro dia até comentei com minha irmã que algumas pessoas muito prósperas e socialmente bem-sucedidas não fazem promessas aos seus seres divinos, com intenção de beneficiar alguém, ou retribuir. Já ouvi muitas delas fazerem promessas tipo:

Se eu conseguir tal bênção vou parar de beber refrigerante.

Se tal coisa me suceder, construirei uma capela maravilhosa para minha santa de devoção, dentro da minha fazenda.

Quer dizer, são promessas que não afetam, necessariamente, a vida de mais ninguém. E elas conseguiram, sim, a benção almejada. O que desejo enfatizar é que, muitos de nós, acreditamos que PRECISAMOS dar algo valioso ao mundo, às pessoas, para merecermos sermos ouvidos.

E não! Não TEM QUE ser assim. A vida ou a divindade nos presenteia com gosto simplesmente porque SOMOS AMADOS. E quando, de fato, NOS SENTIMOS ASSIM, muitas coisas mudam em nossa vida.

Parece muito simples, tão somente sentir-se amado.

Mande a culpa pra merda

Então, essa culpa de estar ocupando espaço no planeta se desfaz, e começamos a perceber que, independente do que façamos ou deixamos de fazer, MERCEREMOS coisas boas.

Sendo assim, repito: não tenha medo de se tornar um sanguessuga egoísta e inútil, só por se livrar da OBRIGAÇÃO de contribuir. Porque você, ao SE SENTIR amado e SE amar, dará frutos, naturalmente. Ser você mesmo é uma dádiva para a existência e bom funcionamento do planeta.

Acredite nisso e comece a viver com mais leveza.

Conclusão sobre não dever nada à vida

Há tanto a ser dito, contudo, o texto já está ficando grande, então, resumirei agora essas breves reflexões cotidianas.

✔É muito importante que nos sintamos, de verdade, amados e merecedores. E é também importante que confiemos em nossa capacidade inata de florescer e dar frutos.

✔É importante que nos livremos da culpa e do peso de achar que, só podemos ter algo se dermos outra coisa em troca, como se a vida fosse um eterno “toma lá dá cá”. Apenas negócios.

Não há nada melhor do que sermos amados e, de vez em quando, nos sentirmos mimados.

E, sim, abra-se a isso. Porque se você observar bem, verá a história de muitas pessoas que foram simplesmente abençoadas pela vida. Sem qualquer justificativa aparente.

✔Não se trata de viver sem esforço, é mais uma questão de viver sem doer tanto. Viver demanda, sim, esforço, por isso precisamos nos nutrir, nos hidratar, etc. Mas a vida não tem de ser dura e exigente o tempo todo.

✔Acredite nisso se quiser, se lhe for útil e lhe fizer sentido. Sei que muita gente é da turma do “no pain, no gain”… e tchudo bain! Porém, se essa mensagem ressoar em seu coração, abra-se a uma vida mais leve e abençoada.

Livre-se de toda culpa e permita-se: ame-se e se sinta amado. E é isso!

No mais, desejo-lhe sucesso, saúde e serenidade.

Cintia Amorim.

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