Nesta sensível historinha sobre a morte e meio ambiente, você poderá, também, dialogar com sua criança sobre vários temas transversais.
Ao final, disponibilizei uma bela atividade pedagógica para dialogar com a criança que está lidando com alguma perda (de uma pessoa, de um pet). Espero que você aproveite bem.
*IMPORTANTE: Todas as histórias deste blog estão devidamente registradas na Biblioteca Nacional. Se quiser reproduzir este texto peça autorização por escrito. E não se esqueça de citar o nome do blog e a autoria, belezinha?
Boa leitura e bom diálogo!
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O morcego e o pé de jatobá
Havia em meio ao cerrado um belo pé de jatobá, seu tronco velho ameaçava se quebrar.
Após uma forte chuva, que mais era tempestade, o tronco ficara fraco, pois se rachara na metade. Rachadura tão profunda que se via sua seiva escorrer, o belo pé de jatobá tinha medo de morrer.
Ele estava triste de ter de partir, pois nascera, crescera e se criara bem ali. Já enfrentara fogo, frio e calor. Conhecia muitos bichos, todo o passaredo. Mas nutria especial simpatia pelo morcego.
O morcego costumava visitar o jatobá, para conversar um pouco e buscar o jantar. O morcego adorava o fruto do jatobazeiro, comia até cansar, depois parava um pouco para poder papear.
– Boa noite jatobazeiro. Como tens passado? Tenho te achado meio amuado.
– Ah, morceguinho, sei que você é meu amigo. Com você eu posso me abrir. Sabe de uma coisa? Tenho medo de partir.
– Mas partir, como? Você é uma árvore. Não pode sair do lugar. Que ideia é essa de querer passear?
– Não se trata disso morcego, é claro que não vou a lugar nenhum. Eu vou partir deste mundo. Dá para entender?
– Uai, e por que você acha que está partindo?
– Ora, porquê? Não notou a rachadura?
– Onde? – perguntou o mamífero.
– No meu tronco, morcego. Você é tão distraído!
– É que eu não enxergo bem. Você esqueceu?
A árvore pediu desculpas. Não se lembrava desse detalhe. Ambos riram. E o morcego prosseguiu:
.- Mas como isso foi acontecer?
– Foi no último vendaval. Acabei me dando mal. E completou:
– Sabe, morcego, sinto minha seiva escorrer. Quero te pedir um favor. Peço a você que coma meus frutos e que lance as sementes à beira da lagoa. Lá sei que terão condições melhores de brotar. Assim vou me renovar. – disse a árvore.

O bom amigo morcego
O morcego ficou triste ao ouvir o pedido da amiga. Mas prometeu atendê-lo. E assim, durante muitas noites comia o jatobá e voava longe, a fim de lançar suas sementes à beira da lagoa.
Porém, o morcego sempre deixava algumas sementes caírem perto do jatobazeiro. E pensava: sei que irão nascer muitas mudas para alegrar minha amiga.
Passaram-se meses. O pé de jatobá foi perdendo as forças. Certo dia, quando já estava todo amarelado, o morcego veio visitá-lo à noite.
– Tenho ótimas notícias. Duas das sementes que lancei perto da lagoa. Vi hoje algumas tímidas folhas nascendo.
A árvore ficou muito feliz, e comentou:
– Sabe, amigo morcego, essa é a verdadeira eternidade.
Só que o jatobazeiro não esperava a melhor notícia. Foi o morcego quem avisou:
– Eu fiz um pouco mais do que você me pediu. Além de espalhar suas sementes na beira da lagoa, também soltei algumas aqui perto. E como eu sei que por aqui não tem muita água, eu trouxe umas gotinhas para regá-las. E também fiz questão de adubá-las com meu próprio guano.
A árvore achou graça do pequeno animal, que completou:
– Sabe de uma coisa? Acho que vi um fino tronco de jatobá brotando a apenas alguns metros daqui. Quando amanhecer você poderá reparar melhor.
De fato, quando clareou o dia, o jatobazeiro pôde encontrar, bem fininho, em meio ao mato, um tronco de pé de jatobá. A árvore riu da copa até a raiz.
Com o tempo viu sua pequena cria crescer. Estava ficando forte, não parava de se desenvolver. Aquela pequena árvore fazia companhia ao velho jatobazeiro, que a cada dia ia ficando mais fraco, porém, mais feliz.
E o morcego também trazia notícias de outras mudas que estavam a brotar.
– Em cada canto deste cerrado há um pé de jatobá.
E, tempos depois, quando ia à beira da lagoa, ou quando ia buscar seu jantar, o morcego conversava com os novos jatobazeiros, costumava comentar:
-Vocês vieram de uma árvore muito sábia e feliz. Uma árvore que soube deixar no mundo sua raiz.
Os pequenos jatobazeiros ficavam encantados com as visitas noturnas do bom amigo. E gostavam também das crias do morcego. Na verdade ficou estabelecida uma grande parceria. Quanto mais os morcegos semeavam jatobás, mais facilmente achavam o jantar.
E até hoje os morcegos espalham sementes. Não deixam nenhuma espécie de árvore se acabar. E assim no cerrado há abundância de vida e muito jatobá.
FIM.
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Um material pedagógico gratuito para você dialogar sobre a morte com a criança, com leveza
E aí, gostou dessa historinha sobre a morte e meio ambiente? Ela pode se tornar uma ferramenta valiosa em tempos difíceis.
Aproveite também para conhecer o BARALHO GERAL DAS ENTRELINHAS. Você irá se surpreender.
No mais, desejo-lhe sucesso, saúde e serenidade.
Historinhas Poderosas.
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